TEXTOS EN ESPAÑOL

Mario R. Cancel

 

I

 

Acomodo

mis cosas

cada una en su sitio.

Son poquísimas, sí.

son suficientes

para un joven poeta

solísimo

atrapado

entre el zumbido

de la gente.

 

II

 

Basta ser

un poeta:

persona

pusilámine

pedante,

para darse cuenta

de que la

universidad,

sus pasillos

sus profesores

sus reuniones,

no son

el mejor

caldo de cultivo

para la literatura…

 

Poema

 

Debiera decir,

que no en papel

sino en pantalla líquida

o cristal

o agua perdida

o tecla negra o crema.

 

O en memoria olvidada,

mientras salgo del baño

o trato de dormirme

o juego a la adultez

y a la persecución

y a ralo patriotismo

para que digan, oye

las cosas que comenta

el poeta.

 

Debiera concluir

que el poema

no duele.

  

No,

no duele

en la garganta,

ni en el decir

que digo,

ni en la ausencia,

nadie canta al olvido.

 

Debiera concluir.

He concluido.

 

 

TEXTOS EM PORTUGUÊS

Tradução de Antonio Miranda

 

I

 

Arrumo

minhas coisas

cada um em seu lugar.

São pouquíssimas, sim.

são suficientes

para um jovem poeta

tão sozinho

capturado

entre o zumbido

da gente.

 

II

 

Basta ser

um poeta

pessoa

pusilâmine

pedante,

para perceber

de que a

universidade,

seus corredores,

seus professores

suas reuniões,

não são

o melhor

caldo de cultivo

para a literatura...

 

 Poema

 

Deveria dizer,

que não em papel

senão em tela líquida

ou cristal

ou água perdida

ou tecla preta ou creme.

 

Ou em memória esquecida,

enquanto saio do banho

ou tento dormir

ou jogo à maturidade

e à perseguição

e ao ralo patriotismo

para que digam, ouça

as coisas que comenta

o poeta.

 

 

Deve concluir

que o poema

não dói.

 

Não,

não dói

na garganta,

nem ao dizer

que digo,

nem em ausência,

ninguém canta o olvido.

 

 Deveria concluir.

Concluo.